Benedito Santiago.

bene.88@hotmail.com

Escritor, poeta, cronista. Bené Santiago usa das palavras para comunicar o invisível do dia a dia. Discutindo a realidade nos textos, não buscando resoluções para a vida, mas percebendo que a vida já é uma realidade escrita todos os dias. Professor em todas às horas o mesmo professa o ver, pensar e agir na impactante "modernidade liquida" a qual vivemos.


Publicada em 18/07/2017
Sinto logo existo.

por Benedito Santiago.

              No discurso do método publicado 1637 por Descartes dizia. "Penso logo existo". Pois parafraseando o mesmo digo: Sinto logo existo. O ato de sentir coloca todos os nossos sentidos a flor da pele, logo sentir alegria nos deixa radiante por tudo que nos rodeia e proporciona felicidade, mas também a dor deixa-nos enclausurados no mundo da infelicidade. Só vivo e sei que a vida pulsa dentro de mim porque a sinto desejar a existência por mim. O sentimento é a vitalidade de desejar e fazer, se desejo é porque o meu ser biológico clama mediante o que estou sentindo, se desejo comer um doce irei satisfazer o meu paladar, e desejo ver o por do sol, encantarei os meus olhos, se desejo ouvi um pássaro cantar colocarei meus ouvidos numa pura melodia. Se estiver perto de alguém que me atrai, o coração vai entrar em estado vulcânico. E o fazer só acontece porque impulsionado por um sentimento, realizo uma atividade que terá um intuito/impacto. Outro dia assisti a um filme intitulado de cidade dos anjos, narrava à história de um anjo que se apaixona por uma mortal, ou melhor, os seus sentimentos motivaram os seus olhos a ver aquela mulher de maneira que nem a plenitude daquele anjo tinha lhe dado tal privilegio em sua divindade. Mas o que quero relatar é o momento quando esse anjo deixa sua condição de imortal e passa a ser mortal para ficar com aquela mulher. A partir dai ele passar a sentir tudo que antes não podia sentir, desde o simples ato de sentir a água correr pelo seu corpo no banho a um abraço de sua amada. Que bom que Deus nos deu a mortalidade. Assim, podemos sentir o cheiro da chuva o vento frio, os raios do sol, o cheiro de uma flor. Os gregos chamavam o dinamismo de dynamis, tem o sentindo de força, energia constante, pois bem, cultive o seu dynamis e sinta aquilo que te faz ser.

 






Publicada em 03/07/2017
Tudo demais é veneno.

por Benedito Santiago.

            As nossas atitudes dizem muito quem somos, nos condicionamos ao absurdo e o exagero faz parte desse mais e mais. Tudo demais é veneno, ou podemos também dizer que veneno demais é tudo. Vivemos na sociedade do tudo, totalizamos aquilo que para nós não deve terminar, pois chegando o fim descaracteriza o que antes só era caracterizado porque eu deixei existir em potencialidade. Quando algo torna-se demasiadamente repetido, desejado, cobiçado, aspirado, não é simplesmente o eu do proprietário, ou seja, aquele que quer possuir, que tem vontade de consumir, mas logo ele não percebe que está sendo consumido e não ele o consumidor. Na sociedade do espetáculo parafraseando Guy Debord. Três coisas nos consumem, o desejo, a tecnologia, e o poder. Desejar é inerente ao o homem, desejo porque vivo, pois minhas faculdades não são desvinculadas do sopro biológico da vida. A tecnologia é uma nova composição substancial do nosso DNA, já não dá para pensar sem a técnica tecnológica. O poder como dizia o grande sociólogo Max Weber é de impor a minha vontade sobre o outro, estamos querendo que o outro seja o que desejamos e traçamos para que ele seja. Como vivemos na sociedade do tudo nem sempre iremos classificar o que realmente importa, nunca vamos ler antes de assinar, comer sem dialogar com o paladar por conta da depressa, ouvir no rádio mesmo sem querer o amor dolorido das musicas mil vezes tocadas durante o dia da Marilia Mendonça. Chega! Ouvi meus ouvidos pedi socorro mediante a mesma ladainha.  Parece que o povo gosta de tortura psicológica, penso que muitos dos que estão com depressão é culpa dessas músicas sertanejas. É meu caro leitor, escutar Marilia Mendonça repetidas vezes é a mesma coisa de tomar uma dose de veneno. 






Publicada em 19/06/2017
SANTA SENHORA.

por Benedito Santiago.

               Ao meu lado sentou uma senhora, ela veio conduzida pela sua filha, por alguns instantes a senhora fica em silêncio. Mas logo seu silêncio torna-se uma linda oração, começa agradecendo, uma virtude que só tem aqueles que conseguem perceber o bem feito por outros ao seu favor, meu ouvido inclinou-se a ouvir a aquela voz roca, falha, mas de uma sabedoria que não deixava a desejar aos maiores gênios da história. Logo ao terminar de agradecer, a mesma começou sua suplica, uma suplica carregada de medo, pensamentos passados e presente. Ela dizia: "Senhor tem piedade dos órfãos, das viúvas dos velhos que já não tem memoria" talvez não tivesse mais uma memoria consistente, não sabia quais tinham sido seus sofrimentos e alegrias, anseios, sonhos realizados ou não. Por um momento senti o peso da velhice daquela senhora, carregada de história, vi tanta fé em seu semblante e palavras, que não encontro em mim mesmo, certa vez escrevia que a fé dos mais velhos é como uma chama perpétua que por ser perpétua pode vim qualquer diversidade que não se apaga. Assim também é a sabedoria e a maturidade, as mesmas foram adquiridas num processo de que foi preciso levantar novamente o que foi destruído, em cada erguimento um aprendizado. A memória de muitos idosos é como raros objetos que insistem em não perder seu brilho com o passar do tempo. A velhice não é o fim como muitos pensam, mas a comparo com uma árvore que mesmo já velha fica de pé, onipotente e a mesma só morre porque a terra não mais a sustenta. Pois suas raízes já não são tão profundas para está em união com a terra, mesmo assim sua missão foi cumprida. No decorrer de seu clamor as lágrimas rolaram em seu rosto, até que ponto esta senhora confessou toda a verdade em sua sincera oração? Será que tinha mais coisas a falar, e sua memória não permitiu? O que ela viveu ou vivia não dizia muito, o que dizia muito era que ela era uma santa senhora.

 






Publicada em 23/05/2017
FRUTAS TAMBÉM CONTAM HISTÓRIAS.

por Benedito Santiago.

            Conhecida por a tentadora, ela é mais perigosa do que a serpente, causadora de toda uma discórdia, é macia, desejada pelos olhos, verde ou vermelha, ela pinta o sete. Dá um gemido a ser mordida e se despis somente com uma faca, o nome dela é maçã. Quem diria que uma fruta transmitiria tanto poder por ser cobiçada, a advertência foi bem clara pelo criador. "Podeis comer de todas as frutas do jardim, menos daquela que se encontra no centro". Maçãs são frutas da humanidade, lá estavam dando ar de sua suculência nos dias em que o mundo afluiu. Curioso!  Porque será que não só a maça não poderia ser comida? Penso que seria porque dentre todas as frutas a maçã é aquela que de imediato convida para a gula. Podemos até imaginar uma maça ao ser pegada na mão, a mesma dizendo, coma-me, coma-me. Estou falando de maçãs, mas tudo começou por uma tangerina que acabei de saborear, tangerinas são frutas que tem um romance com o olfato, não há olfato que regista a uma tangerina. A danadinha não atrai logo pelo sabor, mas sim, através do cheiro, e ao invés de ser despida por uma faca, a mesma é despida a unha. Mas a fruta mais brincalhona é o limão, azedo, faz qualquer um fazer careta. Em todo reino frutífero desejaria ser uma jabuticaba, pequena fruta que ninguém dá nada por ela, mas é cultivada por uma enorme árvore, chegando tal fruta a dominar todos os galhos da árvore, de cor fixante, hipnotiza pelo seu jeito de ser. É meu caro leitor, jabuticaba não é documento. 






Publicada em 18/04/2017
PEREGRINO X TURISTA.

por Benedito Santiago.

              Um pensador Inglês chamado Benjamim Disraeli diz que a vida é muito curta para ser pequena. Essa citação nos excita a uma indagação, como estamos vivendo a nossa vida?  Será que estamos apequenando nossa existência? A vida é uma constante passagem, passagem no sentido de transformação, de não permanecer o mesmo. Na religião há uma palavra que instiga os fies a mudança, essa palavra é conversão, ou seja, mudar de rota, seguir novos caminhos, deixar para traz o que não é bom e aderir novas coisas. Para discutimos as enumeras passagens que a vida nos estabelece vamos se utilizar de uma metáfora do grande sociólogo Bauman que nos oferece um dilema em nossa reflexiva existência. Somos peregrino ou turista? De inicio os dois só tem algo em comum que é a viagem, ambos realizam um percurso, caminho. Mas não possuem a mesma percepção do que está sendo vivido na viagem. O peregrino viaja em busca de algo ele não tem pressa pelo fim do trajeto, o lugar é vivenciado com toda a sua plenitude, o turista viaja por diversão e com o tempo certo para voltar, seu trajeto tem inicio, meio e fim e o lugar é moldado a sua curiosidade e vontade, a meta do peregrino é a vida, com sua constante aprendizagem, já do turista é desfrutar do que o lugar dispõe sem apreendê-lo. O peregrino escolhe o lugar por uma busca, o desejo de preencher sua vida, de achar o que não é esgotável. O turista é pela fama do lugar, o peregrino ver a viagem num sentindo existencial, um ato de fé, porém o turista ver o que é cultural, e os objetos, adornos que podem trazer da viagem. Tanto o peregrino quanto o turista entram num processo de passagem, mas só um sai transformado da viagem, sendo assim só uma pergunta se faz necessária, estou sendo mais peregrino ou turista? 






Publicada em 13/04/2017
QUADROS.

por Benedito Santiago.

           Há tempos estou intimo de quadros. São de todos os tipos e formatos e cores, pequeno, grande, a beleza de cada um se dá pela diferença de está a ornamentar o espaço, mas acima de tudo ele é hospedeiro de uma foto, guardião do passado, presente e futuro. Era sábado dia de buscar algo interessante para fazer, fugir das mesmas atividades, entrei no quartinho das ferramentas e o que primeiro vejo, um quadro de Nossa Senhora da uva, lembrei-me que tinha visto aquela imagem na universidade, veio átona também a moldura que guardava a foto, mandei fazer e foi a mais bela que meus olhos cobiçaram, então entrei mais a fundo e peguei as ferramentas de jardinagem e falei para mim mesmo, hoje vou construir o meu jardim. Adubei a terra, trouxe comigo as minhas flores preferidas, trabalho concluído tirei uma foto e a enquadrei, percebam que tudo que é importante é guardado em um quadro, acho que essa afirmação está mais para outrora quando as fotos iam para a parede ou para um álbum onde ali ficava um registro de todas possíveis peripécias existências, hoje na hipermodernidade não mais se guarda só se registra. Era costume famílias se reunirem para ver fotos em todas as etapas da vida, as lembranças afagava a saudade e a esperança se renovava num conformismo de que aquelas fotos estavam ali para mais visualizações, hoje as fotos são tiradas e guardadas no quadro fechado da tela preta o computador, se o mesmo dê uma pane em seu sistema a Deus todas as fotos. Já não somos movidos pela sensibilidade da organização de um espaço próprio para os quadros, e ao passar por este lugar admirar sua beleza, somos agora sensibilizados pelo registrar a foto jogar nas redes sociais ver quantos amigos compartilharam e comentaram esta foto. A vida em sua própria dinâmica se renova sem sombra de duvida, mas há práticas que não deveria morrer. Não se corteja mais um quadro com sua eloquente pintura, o máximo que dizemos é que este quadro é muito bonito, mas não dialogamos com o mesmo, a prática do dialogo é coletiva, mas também é intrínseca, na sala dos professores da escola onde trabalho tem um quadro com uma pintura da rua de baixo, pegando o quadrado da igreja matriz, todas as vezes que adentro aquele espaço dialogo com o quadro, tenho necessidade de olhar para aquele quadro, os detalhes me fascinam, não precisava falar nada, pois acontecia um dialogo intimo. Como dizia Pablo Picasso "um quadro só vive para que o olha."






Publicada em 03/04/2017
FUTEBOL + POLÍTICA.

por Benedito Santiago.

             Ao assistir uma partida de futebol veio-me uma conclusão, confesso que não sou fã de futebol e nem queria escrever sobre este assunto, mas como sempre digo, fui arrebatado pela inspiração, não tem como, é rende-se a escrita. Quando é a seleção brasileira que está jogando o espírito patriota fala alto. Mas a conclusão que cheguei foi a seguinte, futebol e política gozam das mesmas características. No futebol a torcida fanática são os motivadores, torcedores e colaboradores, o juiz, técnico e comissão de cada time são a equipe de organização que orienta os jogadores a fazer o que é certo e punindo qualquer deslize cometido. Os jogadores são os que estão em campo cada um com uma história e desejos diferentes, galgando a tão esperada vitória. Os quais se amparam de vários artifícios, têm aqueles que se jogam para que o jogador do time contrário seja penalizado, os que simulam uma pancada para ficar horas e horas no chão, e quando um time fica só no enrola? Enrola jogando a bola para um e para outro, é entediante, mas depois de todas as artimanhas de cada time ter sido colocada em prática por fim um vencedor é aclamado. E na política? Há também torcedores fanáticos, os eleitores, são os cabra eleitoral, negociam votos, é formada uma equipe que organiza todos os detalhes para o êxito da campanha eleitoral, do outro lado há a equipe que controla os abusos político, os políticos (candidatos) são os que estão em capa suplicando voto a cada cidadão, beijando e suportando choro de crianças, só não suporta o político magnata que se acha bom demais como o Donald Trump. As artimanhas do político são muitas, compra de voto, doação de objetos, se tinha a brincadeira de que o objeto mais dado por político era a dentadura, envelopes debaixo das portas meia noite, favores antes do período eleitoral para ser cobrado no tempo oportuno. Por fim um candidato é conclamado eleito. E o outro candidato? Amarga o dissabor da derrota, assim também é no futebol, na política quanto no futebol há corrupção, está presente, em seu ato de tomar para si aquilo que não lhe pertence, no mesmo instante contorna favores e deliberações. Corrompe-se está no DNA do homem não é que todo mundo é mau caráter, mas que todos somos propícios a cair em tentação. Assim vamos vivendo entre discursos e bolas.

 

 






Publicada em 27/03/2017
BANCOS.

por Benedito Santiago.

              Hoje pela tarde recebi uma ligação de um desses que acredita que só pode ser feliz se for empregado de um banco. Na ocasião me apresentou dois cartões que se eu quisesse estaria a minha disposição, de antemão recusei, ele retrocou, mas por quê? Eu respondi. Não me interessa, pois não compro a cartão, não sou refém de faturas. Mas como somos tendenciados a tentação eu aceitei um cartão que era de graça, pois o outro era pago. Então foi ai que começou um interrogatório por parte desse senhor, perguntando alguns dados pessoais para eu ser fichado no bendito banco. Em determinado momento da conversa ele me pergunta qual a minha profissão, respondo que sou professor, então o mesmo indaga-me se trabalho, afirmo que sim, ele pergunta qual é o nome da escola a qual trabalho, digo-lhe que faz pouco tempo que não tenho mais nenhum vinculo com esta escola. Por fim ele exclama: lamento senhor, mas nestas condições não posso está fazendo o pedido do seu cartão, não deu tempo nem eu balbuciar nenhuma palavra o telefone dá sinal de ligação encerrada. Lembrei-me do programa que o Antonio Abujamra fazia na TV cultura, quando perguntava aos seus convidados o que fazia mais mal a humanidade se bancos, religião ou política. Penso que seja os bancos, sempre com suas facilidades financeiras através dos seus empréstimos, outro dia estive num banco, onde funciona só um caixa atendendo, se demora incontáveis horas para ser atendido, mas tem alguns que tem preferencia no atendimento, não são idosos, lactantes, pessoas amputadas, mulheres com criança no colo. Mas sim os ricos, os que servem os bancos com sua lauta conta, observei que chegou um homem perto do gerente cochichou em seu ouvido e logo em seguida o gerente levou uma senhora para uma sala, pouco tempo depois a senhora sai com um semblante aliviado por ter resolvido sua pendencia sem precisar ficar na fila, ou está a todo tempo com os olhos grudados no guichê esperando a sua senha sair, que momento feliz, entra-se quase em um êxtase quando a senha é visualizada, é uma felicidade com alivio de fim de martírio. Tudo isso quer dizer que só sou conveniente para outro se eu puder oferecer algo para esse outro, se eu não oferecer nada, estou excluído. Não penso que a humanidade vai mudar, e deixar de agir por conveniência, até porque eu e você agimos também por conveniência, e conveniência financeira é a mais cruel de todas. Como diz o ditado, só vale que tem, se só tenho uma borracha vou valer só essa borracha. Acho que foi essa borracha que apagou o meu nome imediatamente na cortesia daquele senhor.  






Publicada em 19/03/2017
O DIA PASSOU E QUEM SOU EU?

por Benedito Santiago.

          A subjetividade é a capacidade de dizer quem sou, posso até planejar, objetivar meus planos, mas nem sempre as coisas irão acontecer como se planejou, neste momento é preciso replanejar toda a vida. Para sempre Alice é um drama que conta a história de uma professora universitária bem sucedida, e que começa a esquecer de alguns acontecimentos de sua vida. Logo, Alice é diagnosticada com Alzheimer, a partir dai tudo iria mudar. No auge do esquecimento Alice direciona seu olhar perdido, como se buscasse encontrar o que não se deixa ser achado. A perda da memória de Alice tirava-a de inúmeras possibilidades de viver plenamente, sua família tornou-se desconhecida, os sentimentos já não eram tão presentes no dia a dia, Alice assumira uma nova subjetividade, um eu desfigurado e sem perspectiva de novidades. Mas sua identidade estava viva naqueles que a conhecia, assim sendo para sempre Alice. Em um momento, antes de perder totalmente suas faculdades mentais, Alice dá uma palestra na Associação de Pessoas com Alzheimer e começa a narrar o inicio de suas impossibilidades. Neste instante Alice ler um poema belíssimo da poetisa Americana Elizabeth Bishop, que diz. 


A arte de perder não é nenhum mistério
tantas coisas contém em si o acidente
de perdê-las, que perder não é nada sério.
Perca um pouco a cada dia. Aceite austero,
a chave perdida, a hora gasta bestamente.


A arte de perder não é nenhum mistério.
Depois perca mais rápido, com mais critério:
lugares, nomes, a escala subsequente
da viagem não feita. Nada disso é sério.
Perdi o relógio de mamãe. Ah! E nem quero
lembrar a perda de três casas excelentes.


A arte de perder não é nenhum mistério.
Perdi duas cidades lindas. Um império
que era meu, dois rios, e mais um continente.
Tenho saudade deles. Mas não é nada sério.
Mesmo perder você (a voz, o ar etéreo, que eu amo)
não muda nada. Pois é evidente
que a arte de perder não chega a ser um mistério
por mais que pareça muito sério.


           Meu caro leitor não fique preso à perda, mas saiba que ela é uma realidade da vida, parece que só conseguimos ser melhores quando o inesperado nos pega de surpresa. Parafraseando Lulu Santos em sua música como uma onda no mar. "Nada do que foi será do jeito que já foi um dia, tudo passa tudo sempre passará, a vida vem em ondas como o mar num indo e vindo infinito."

 






Publicada em 14/03/2017
Ele.

por Benedito Santiago.

                    Ele entrou e despertou dubiedade pelos olhares que o julgava, desprovido de uma história presente, não prospectava história futura, visível portador de uma demência, levava consigo o delírio de realidades passadas e presente. Pessoas riam sem se quer compreender que aquele homem estava desprovido de desejos, ideias, espera, e que o mesmo se encontrava num mundo paralelo a estas pessoas, não pensava quais foram suas escolhas e dores. Ele estava numa condição de existir sem ser visto. Nós seres humanos somos a classe dos que mais exclui por não ter afinidade, ora, éramos naquele momento todos íntimos deste homem, pois quem se atrevia ali a dizer que só praticava coisas normais? A normalidade é uma farsa, sempre tem alguém fingindo normalidade para ter duas identidades. Quais os desatinos cometidos por esse homem? Será que era letrado? Tinha uma esposa e filhos? Se nada disso passava por sua cabeça, mas passava pela cabeça de quem tinha curiosidade sobre a identidade deste homem. Somos marcados por uma história, mesmo que essa história não fosse registrada, ela existia e nada que existe é por acaso. E quando a morte desejasse esse homem? Teria quem velasse seu corpo? Seu corpo sem brilho estaria exposto ao nada. Não teria nenhum epitáfio escrito em sua lapide, não cairiam lagrimas lamentando sua partida e intelectuais não revezariam a cabeceira de sua cova proferindo eloquentes discursos em sua homenagem. Uma coisa é certa esse homem era todos nós que uma hora ou outra seremos esquecidos. Só que este homem a tempo estava vegetando para a sociedade, desprovido de qualidades para demostrar sua serventia não encantava ninguém, despertando indiferença. Não conto às vezes que escutei pessoas dizerem que neste mundo não somos nada, não levaremos nada ao morrermos, e que o orgulho nos cega, pois digo que o orgulho desfigura a nossa primeira essência que é ser humano. Buscando o conceito da palavra humano descubro que o termo humano utiliza-se também como adjetivo com o significado de bondoso ou generoso, compreensivo ou tolerante. Somos tão providos de virtudes e não usamos nem a metade. Sei que aquele homem não esperava milagre, não queria poder, roupas da atual moda, não juntava, mas também não separava. Partia sim, do principio do está no meio de outros, essa é uma condição dos associáveis, por mais que muitas vezes desejemos a solidão, por fim queremos o máximo de pessoas ao nosso lado, fomos concebidos numa humanidade e compostos por um conjunto de ideias, o convívio nos instiga a desejarmos sonhos coletivos e a querermos dizê-los aos que estão conosco. Aquele homem nunca será o que talvez um dia ele desejou, provável que nós sejamos o que almejamos, e quando chegar esse momento é preciso apararmos nossas superioridades, se assim não for, só seremos capazes de contemplar o por do sol e não perceber que é o mar que se faz cenário para ele brilhar.






Publicada em 06/03/2017
O MITO DA VEZ.

por Benedito Santiago.

           Do grego mythos, um mito remete para um relato de feitos maravilhosos cujos protagonistas são personagens sobrenaturais (deuses, monstros) ou extraordinários (heróis). Quem são os mitos dos tempos modernos? Quem são os extraordinários que desprovidos de defeitos aglomera multidões? São todas perguntas que irão desmistificar o que seja mito, não mais gravados em livros ou na mente o mito torna-se aquilo ou aquele que constituído de fama exerce dominações, uma figura que todos imitam, por ser um ideal de individuo. Quando um artista é endeusado pela sua arte não é mais sua arte que brilha, mas sim ele. A vestimenta jeans criada na França no século XVIII é ainda nos dias atuais um mito da moda. A Coca-Cola a bebida mais consumida em todo o mundo, também é um mito. São exemplos de mitos que se perpetuam sem sabermos se algum dia terá fim. Embora um mito seja algo que marcou ou ainda marca não está desprovido de defeito, pois foi criado em um contexto social e sociedades são oscilantes,  para muitos os principais mitos dos dias atuais são os cantores, artistas de TV os que estão na mídia, sendo os cantores vistos como deuses, pessoas quiméricas, chega a ser idiotizante essas pessoas, que depositam suas vidas a seguir artistas, não quero dizer que os artistas estão errados em terem o dom de realizar uma atividade extraordinária e fazer desse meio uma forma de ganhar a vida, infelizmente eles artistas encontram-se no mesmo estado de seus fãs, alucinados por um contexto de fantasias que paralisam todos os sentidos, direcionando-os a superficialidade das coisas, dos desejos e do eu sou. É difícil reconhecermos e termos como fã aquela senhorinha que há anos cuida de uma casa que ampara crianças de rua, e que a mesma dá maior duro em fechar as contas desta casa no fim do mês, o professor que passou a vida toda instruindo e conduzidos jovens ao conhecimento e a uma vida digna, os cientistas que levam a vida em busca da cura do câncer e do HIV. Nós estamos direcionando nossas emoções a propósitos que não geram solidariedade e nem tomada de mudanças, o mito não pode suplantar as nossas emoções e sentidos, sendo assim ficamos presos ao fanatismo ou ao Big Brother Brasil. 






Publicada em 27/02/2017
A POÉTICA DA NATUREZA

por Benedito Santiago.

             Escutei um bem-te-vi cantar e parei de ler, estava lendo um livro de Rubem Alves, "gestão do futuro" e fui de encontro à exuberância deste pássaro, logo após uma manhã agradável de chuva, ele cantava exaltando a natureza, reconhecendo a beleza do momento, através do seu canto, o mesmo expurgava o que seu ser estava cheio.  Temos uma relação muito intima com a natureza, mas desconhecemos, desconhecemos porque a nossa insensibilidade é maior do que a nossa capacidade de amar, palavra essa que está encardida pelo uso de maneira banal. Já não se ama o belo, a beleza é um ato de contemplação, ela não se encontra escondida no que é fantástico, mas no que é simples, palpável, a beleza está nos olhos, olhos são constituídos de alma, sua maior essência é olhar, e não só enxergar. Quando olho, sei que o que está sendo visualizado tem um sentido maior do que se consegue ver. Quando enxergo só vejo o objeto, e esse objeto não tem nenhum sentido a mais do que ele se mostra. E foi assim que olhei este pássaro, instituído não só de uma beleza física, mas de uma beleza interior, não somos treinados a olhar a beleza em seu âmago mais puro. Certa vez estava andando por uma rua quando vi uma senhora varrendo sua calçada, ela recolhia flores amarelas que tinham caído das árvores de acácia, porque para ela aquelas pequenas flores era lixo, deixando-a incapaz de perceber o belo tapete amarelo que as flores desenhavam no chão. Perceber o que está a nossa volta tornou-se uma tarefa difícil, pois a sintonia da existência não está mais ligada ao mundo que vejo, sinto, cheiro, ouço. Mas ao mundo do imediato, online. Movendo-nos de uma condição de racional para irracional, de pensantes a meros executores, dessa maneira corremos o perigo de desejar só por desejar, sem empatia alguma, não quero as flores que estão nas floriculturas são frias, inertes. Quero as do campo, são agitadas selvagens e cheias do orvalho da manhã.

 





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